"Monadologia e sociologia",
por Bernardo Ferreira
(*)
Dados
do livro:
Título: Monadologia e sociologia
Autor: Gabriel Tarde
Organizador: Eduardo Viana Vargas
Editora: Cosac Naify
Número de Páginas: 286 |
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A estória é bem conhecida, mesmo assim
é quase inevitável recontá-la quando se trata da redescoberta recente da
obra de Gabriel Tarde (1843-1904). Na virada do século para o século XX,
Gabriel Tarde era um autor de prestígio no mundo intelectual e acadêmico
francês. Entre 1890 e 1900, ele havia alcançado o máximo do
reconhecimento: publica com grande repercussão, dentro e fora do seu
país, o livro Les lois de l’imitation (1890); sai da província e
se estabelece em Paris, em 1894, como diretor do setor de estatística
judiciária do Ministério da Justiça; é eleito, em 1900, para o Collège
de France como catedrático em filosofia moderna; conquista um lugar na
Académie des Sciences Morales et Politiques. Todo esse sucesso, no
entanto, não lhe garantiu uma posteridade. Gabriel Tarde simplesmente
não faz parte dos nossos currículos universitários. As razões dessa
ausência são, em geral, bem sabidas: com a ascensão, ainda no início do
século XX, de Émile Durkheim e da sua “escola sociológica”, Tarde foi
relegado a um segundo plano, tornando-se, aos poucos, um autor associado
a um momento na história da disciplina ou ao interesse de alguns poucos
especialistas.
Nos últimos tempos, no entanto, esse
quadro vem sofrendo uma brusca reversão. No final da década de 1990,
mais ou menos um século depois do período culminante da carreira de
Tarde, o mercado editorial francês conheceu uma onda de reedições dos
seus textos. O ano de 1999 foi, nesse sentido, um marco: nada menos do
que quatro livros de Gabriel Tarde foram reeditados pela editora Les
Empêcheurs de penser en rond . Atualmente, a publicação das suas obras,
pela mesma editora e sob a direção de Eric Alliez, já conta com nove
volumes, dentre os quais um título até então inédito. Não chega a
surpreender que essa retomada traga consigo uma certa carga polêmica. A
polarização costuma ser um dos traços distintivos do mundo intelectual
francês e, além disso, o longo esquecimento das idéias de Tarde é
inseparável do seu confronto com Durkheim. Dessa forma, a recuperação de
Tarde tem implicado, por mais extemporânea que possa parecer, uma
reatualização da polêmica com a sociologia durkeimiana e sua herança
intelectual. Para a grande maioria dos leitores com algum contato com o
pensamento de Durkheim – e, é de se supor, ignorantes da obra de Tarde
–, a idéia de reatualizar a oposição entre os dois autores deverá
sugerir uma reencenação da alternativa entre indivíduo e sociedade, ou
melhor, entre uma concepção do social baseada em premissas
individualistas e uma outra que parte da noção da sociedade como uma
realidade sui generis. O problema, nos dizem os promotores do
retorno a Gabriel Tarde, está em que, ao colocar a questão dessa forma,
continuamos a interpretar o seu pensamento à luz de questões e premissas
que não são as suas, mas de Émile Durkheim. Ou seja, continuaríamos a
ler a sociologia de Tarde nos termos a que Durkheim nos acostumou. Mas,
afinal, pergunta-se, que termos seriam mais adequados a uma abordagem
das suas idéias? O livro Monadologia e sociologia, recém
publicado pela editora Cosac Naify, oferece alguns elementos para uma
exploração dessa pergunta.
O leitor que se aproximar do livro com
expectativas predefinidas talvez fique intrigado com o seu título algo
incomum e ainda mais surpreso com o seu conteúdo. No entanto, a
referência desde o início explícita a Leibniz não deixa dúvidas:
trata-se de uma obra na qual a indagação filosófica ocupa um lugar
central. Mais ainda: dos dois substantivos que lhe dão nome, monadologia
e sociologia, o peso maior, por assim dizer, reside no primeiro. Isso
porque, diferentemente do que se poderia esperar, a sociologia é
convocada aqui para explorar uma hipótese filosófica, e não o contrário.
Como o responsável pela organização do volume, Eduardo Viana Vargas,
observa em sua esclarecedora introdução, Monadologia e sociologia
reúne quatro artigos que foram escritos por Gabriel Tarde ainda no
início da sua trajetória intelectual, na primeira metade da década de
1870, embora só tenham sido publicados mais de vinte anos depois:
“Monadologia e sociologia” (daqui em diante citado MS,
seguido da página), “A variação universal” (VU),
“A ação dos fatos futuros” e “Os possíveis” (OP).
Neles, Tarde desenvolve uma hipótese metafísica de amplo alcance, propõe
uma ontologia, que longe de se restringir à vida social como o título
poderia dar a entender, pretende dar conta da própria ordem do mundo.
Semelhante pretensão não deixa de ser surpreendente, sobretudo quando se
considera que o seu autor a formula como um desdobramento das
descobertas da investigação científica. Afinal, os cientistas sociais se
habituaram a supor que esse tipo de especulação não faria parte do
horizonte intelectual de uma disciplina dedicada a estabelecer conexões
factuais entre os fenômenos. Na sua versão mais extrema, e também mais
ingênua, essa suposição imaginou ser possível de eliminar do ato de
conhecimento todas as considerações metafísicas, acreditando, como diz
Gabriel Tarde, “ver nos fatos apenas fatos” (OP, 200).
No entanto, é justamente nesse ponto –
na explícita pretensão de assumir uma hipótese metafísica como ponto
partida da investigação – que se torna clara a inadequação da moldura
dentro da qual Durkheim e o seu grupo procuraram enquadrar o pensamento
de Tarde. Não apenas porque Durkheim defendeu a autonomia da sociologia
com base numa clara separação em face da filosofia ou de quaisquer
elucubrações metafísicas e ontológicas. Mas acima de tudo porque a
alternativa entre perspectiva psicológica ou perspectiva sociológica,
acaba por postular – seja da parte do indivíduo, seja da sociedade – uma
identidade originária e substancial. Haveria, portanto, na base do
cientificismo da sociologia de Durkheim e da sua imagem da sociedade
como uma realidade supra-individual uma espécie de ontologia da
identidade, que a pretensa separação entre ciência e filosofia tenderia
a ignorar. Retomar Tarde em termos distintos daqueles a que fomos
acostumados implica reconhecer que o seu ponto de partida é inteiramente
distinto; que, em lugar dessa “ontologia da identidade”, ele não nos
propõe uma versão mais “científica” da vida social, mas uma “ontologia
da diferença”.
Uma ontologia que, nas suas próprias
palavras, consiste “em dar a diferença como objetivo a ela mesma”
(VU, 135) e reconhecer que ela “é o alfa e o ômega
do universo”, já que, no fim das contas, “existir é diferir”
(MS, 98). A ordem das coisas seria um resultado
momentâneo, um acontecimento localizado e circunstancial, e não a
realização necessária de algo que, em última análise, já estaria dado de
antemão. A hipótese de que os acordos e harmonias do mundo são sempre
parciais e, por definição, secundários em relação a um “luxo de
discordâncias” (VU, 135) que não cessa de se
renovar traz consigo um duplo efeito. Em primeiro lugar, torna
problemáticas noções como ordem, unidade, totalidade, harmonia,
identidade: longe de explicarem o que acontece, são elas, se for o caso,
que precisam ser explicadas. Como conseqüência, e este é o segundo
efeito, a prioridade cognitiva se transfere do determinado para o
incerto, do ordenado para o caótico, do unitário para múltiplo, do total
para o fragmentário, do harmônico para o discordante, da identidade para
a diferença.
O texto que dá título ao livro,
“Monadologia e sociologia”, constitui a tentativa mais arrojada de
formular esse ponto de vista. Nesse ensaio, Gabriel Tarde propõe
resgatar a idéia das mônadas, originalmente formulada por Leibniz como
resposta ao mecanicismo de Descartes. A hipótese de uma “monadologia
renovada” (MS, 79) seria um resultado do fato de
que, nos mais diferentes campos, o conhecimento científico estaria
dissolvendo o contínuo, o unitário, o finito no descontínuo, no
múltiplo, no infinitesimal. Cada vez mais, nos diz ele, as descobertas
da ciência estariam levando à conclusão de que “a fonte, a razão de ser,
a razão do finito, do definido está no infinitamente pequeno, no
imperceptível”. Com isso, prossegue Tarde, “o infinitesimal, (...) se
torna (...) a chave do universo inteiro” (MS, 58).
A referência à idéia das mônadas e a
Leibniz é mais do que um simples recurso retórico ou uma alusão erudita.
Assim como no filósofo alemão, o infinitamente pequeno em Tarde se
apresenta como algo de puramente espiritual e permite superar o dualismo
entre matéria e espírito inaugurado pela filosofia de Descartes. Com a
multiplicação infinita dos agentes, a ciência teria espiritualizado o
mundo, conduzindo a um “psicomorfismo inevitável”, segundo qual “a
matéria é espírito” (MS, 65). Semelhante redução
da matéria ao espírito não só estaria em sintonia com a tendência para o
infinitesimal promovida pelo desenvolvimento científico, como também
permitiria revelar a natureza ilusória do hiato entre o fora e o dentro,
o movimento e a consciência, o objeto e o sujeito. A aparente
irredutibilidade entre o que há de quantitativo no movimento e o que há
de qualitativo nas sensações e na consciência poderia, assim, ser
dissolvida num monismo de fundo. Um monismo que reconheceria por toda
parte a ação de forças anímicas, a crença e o desejo, cujas variações
seriam quantitativas e, ainda assim, não poderiam ser reconduzidas ao
puro mecanismo. A “espiritualização do universo” (MS, 67),
nos diz Tarde, se torna pensável quando se considera que a crença e o
desejo “possuem o privilégio único de comportar estados inconscientes”
(MS, 68), o que permitiria concebê-los como forças “objetiváveis
no mais alto grau” (MS, 69). Dessa forma, Tarde
imagina as ações das mônadas impulsionadas por desejos e crenças
infinitesimais e, ao mesmo tempo, afasta a acusação de antropomorfismo.
Ao invés disso, ele afirma que é o preconceito antropocêntrico da
superioridade e da exclusividade da vida psíquica humana que tenderia a
reduzir o restante do mundo natural a um mero jogo de forças mecânicas.
Não fosse assim, observa, estaríamos mais abertos a admitir a idéia de
um “psiquismo” que constitui o “gênero do qual toda a inteligência por
nós conhecida é apenas uma espécie” (MS, 75).
A recuperação da hipótese das mônadas,
no entanto, se torna mais sugestiva quando Gabriel Tarde se afasta de
Leibniz e propõe uma “monadologia renovada”. Para o filósofo alemão, as
mônadas constituiriam a substância última, o princípio de força e
atividade de que a matéria e os corpos seriam constituídos. Cada mônada
seria por natureza distinta das demais e se apresentaria como um ente
completo e fechado sobre si mesmo. Segundo a sua famosa observação, as
mônadas não possuiriam janelas, não havendo entre elas qualquer tipo de
interação. Coloca-se então a pergunta: como a partir de substâncias de
tal modo diferentes entre si, autônomas e auto-suficientes existe alguma
ordem no mundo? Leibniz defende a existência uma concordância geral
entre as mônadas, que seria produto de uma harmonia preestabelecida,
isto é, instituída por Deus no momento da criação. Gabriel Tarde retoma
o mesmo problema, mas a sua resposta é inteiramente distinta. Segundo
ele, somente concebendo as mônadas como entidades abertas e que se
interpenetram é possível pensar a constituição de alguma ordem. Uma
mônada torna-se, assim, “uma esfera de ação indefinidamente ampliada”,
um “meio universal” (MS, 80) que aspira à
realização plena dos seus apetites e, nesse movimento, se relaciona e
entra em choque com as outras. Nessa perspectiva, a ordem do composto
pode ser entendida como conseqüência de um processo permanente de
composição, ou, para ser mais preciso, de associação, por meio do qual
algumas mônadas conseguem impor, ainda que provisoriamente, a sua lei às
demais. No entanto, este é um processo que, na análise de Tarde, está
longe de ser unilateral; pelo contrário, a homogeneidade surge do
heterogêneo através de um movimento contínuo e multidirecional de
apropriação, em que cada ser elementar “quer, não se apropriar aos
seres exteriores, mas apropriá-los a si” (MS, 117,
grifos do autor). Nesse contexto, a ordem do “todo” já não pode
mais ser compreendida em termos de finalidade ou necessidade e adquire
uma feição aleatória e contingente.
Dessas premissas, Gabriel Tarde extrai
algumas importantes conclusões. Em primeiro lugar: já que a continuidade
fenomênica é produto de um processo de associação que se dá no plano
infinitesimal do descontínuo, a idéia da monadologia tem como corolário
uma hipótese sociológica: “toda coisa é uma sociedade, (...) todo
fenômeno é um fato social” (MS, 81). A imagem das
mônadas abertas e em permanente interação desembocaria, portanto, em um
“ponto de vista sociológico universal” (MS, 90). O
fato da associação não seria um privilégio da vida social propriamente
dita, mas uma característica da totalidade dos fenômenos.
Em segundo lugar: já que a ordem das
coisas nasce da “pretensão universal do infinitamente pequeno ao
infinitamente grande, e [do] choque universal e eterno resultante”
(MS, 124), tudo o que existe como determinação e
homogeneidade é sempre simplificação de uma heterogeneidade e uma
indeterminação originárias. A realização de qualquer possibilidade
implicaria, inevitavelmente, o sacrifício de inúmeras outras
possibilidades não concretizadas. Por isso, afirma Gabriel Tarde, “não
se pode conceber uma realidade sem virtualidade, isto é, sem um certo
excesso da potência sobre o ato” (OP, 214). Na
base das coisas, estaria uma diversidade infinita e inesgotável, que não
pode deixar de ser caótica e conflituosa. Nesse quadro, a diferença
teria, como já vimos, um caráter originário; e isso não apenas porque
ela estaria no começo de todo acontecimento, mas acima de tudo porque
ela seria o seu fundamento e razão de ser. Ao despojar a realidade de
todo outro propósito que não seja a reprodução da própria diferença,
Tarde, em última análise, nos apresenta uma imagem do mundo que, por
carecer de ponto de apoio fixo, se vê esvaziada de significado último e
finalidade. Todo ponto de chegada não pode ser senão a cristalização
provisória e aleatória de um movimento interminável e multiforme de
diferenciação. Como ele mesmo observa de forma precisa, “o caráter
bizarro e disparatado da realidade, visivelmente dilacerada por guerras
intestinas seguidas de precárias transações, supõe a multiplicidade de
agentes do mundo” (MS, 120-121). Cabe acrescentar:
agentes movidos por apetites infinitos, que, pela sua natureza
divergente, não se combinam de forma pacífica. Nesse contexto, uma força
que busca se efetivar traz consigo sempre “o excesso do possível sobre o
real” (OP, 223). A sua realização é sempre
precária e incompleta, porque obstada, no próprio ato de associação, por
uma infinidade movimentos que lhe são equivalentes e, com maior ou menor
intensidade, contrapostos. Assim, a ordem das coisas passa através dos
seus elementos constituintes, mas em momento algum seria capaz de
contê-los por inteiro. Estes elementos embora sejam “a encarnação
temporária das suas leis, nunca pertencem ao mundo que constituem senão
por um lado de seu ser, escapando por outros lados” (MS,
106).
Em terceiro lugar: já que cada um dos
seres infinitesimais que compõem o mundo “está inteiramente lá onde age”
(MS, 80); já que essa atividade demonstra “uma
aptidão a irradiar-se em uma infinidade de sentidos” (OP,
230); já que a unidade forma-se a partir da diversidade, em um
movimento de “possessão recíproca, sob formas extremamente variadas, de
todos por cada um” (MS, 112); Gabriel Tarde
conclui que seria necessário repensar os termos em função dos quais a
tradição filosófica do Ocidente teria formulado o problema do Ser. A
partir do momento em que as mônadas são imaginadas como realidades
abertas, a sua essência última – ou seja, a sua atividade – tem
de ser concebida sob a forma de uma relação com outrem, jamais apenas
como relação consigo mesmo. Segundo Tarde, os elementos infinitesimais
“não podem ser agentes sem serem proprietários (...), sua ação revela-se
a nós apenas como uma mudança produzida na natureza da sua possessão”
(MS, 116). A noção de Ser, nos diz ele, não seria
capaz de dar conta desse agir, pois, em última análise, ela parte da
premissa de uma identidade prévia e definida em termos solipsistas. Por
isso, em lugar de uma “filosofia do Ser” ele avança a idéia de uma
“filosofia do Haver” (MS, 114). No horizonte desta
última, o conceito de “entidade” seria desalojado pelo de “propriedade”
(cf. MS, 115), pois somente assim seria possível
dar conta do formigar através do qual os elementos infinitesimais se
desdobram “um diante do outro, um no outro, um pelo outro”
(MS, 118). Ao afirmar que “o ser é o haver”
(MS, 123), Gabriel Tarde procura conceber o que
existe em termos da miríade das suas relações, ou, caso se prefira,
através dos processos multidirecionais de apropriação e possessão,
graças aos quais as mônadas se apreenderiam umas às outras e o mundo se
entreteceria em um movimento contínuo e interminável.
A redescoberta de um autor
freqüentemente implica um movimento de reavaliação dos cânones
constituídos e de reinterpretação da história consagrada. No caso de
Gabriel Tarde, esse movimento é quase inevitável. Afinal, o seu
ostracismo ao longo do século XX teve muito de um banimento. Não chega a
ser um exercício estéril de raciocínio contrafactual imaginar como
poderia ter sido a história da sociologia – e, sobretudo, a história da
sociologia francesa – se o seu pensamento tivesse desfrutado uma
posteridade mais favorável. Dessa forma, a reconsideração das suas
idéias põe em evidência algumas das principais linhas de força de
constituição da disciplina. Resgatar Tarde, com certeza, é interpelá-las
polemicamente nas suas próprias premissas. Mas não só. Pode significar
também a possibilidade de colocar as suas idéias em relação com as de
outros autores que, mais ou menos na mesma época, produziram uma imagem
do mundo social na qual o pensamento de Tarde dificilmente deixaria de
se reconhecer. Penso particularmente em Georg Simmel e, pelo menos até
certo ponto, – por que não? – também em Max Weber. Nesse sentido, a
iniciativa da editora Cosac Naify só pode ser bem vinda. Espera-se que
ela seja seguida da tradução de outras obras importantes de Tarde que
permanecem ignoradas entre nós.
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(*)
Bernardo Ferreira é doutor em Ciência Política pelo IUPERJ e
professor do Departamento de Ciências Sociais da UERJ. É autor de
O risco do político. Crítica ao liberalismo e teoria política em
Carl Smith (Editora UFMG, 2004).
Atualizado em 19/05/08