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Resenha (Edição nº 22)
"A reinvenção do uso
da ayahuasca nos centros urbanos",
por Marcelo Ayres Camurça
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Dados do livro resenhado:
Título da obra: A reinvenção do uso da ayahuasca
nos centros urbanos
Nome do autor: Beatriz Caiuby Labate
Editora: Mercado das Letras/Fapesp
Número de Páginas: 535 |
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No prefácio de seu livro , os sociólogos da religião G. Filoramo e C.
Prandi salientam que na atualidade se processa um movimento de
multiplicação infinita de estudos de religiões, com sua conseqüente
especialização e dilatação contínua. A temática dos trabalhos da
antropóloga Beatriz Caiuby Labate, para o caso brasileiro, parecem
confirmar a proposição dos dois autores. No livro que ora resenhamos, "A
reinvenção do uso da ayahuasca nos centros urbanos" assim como no
anterior, "O uso ritual da ayashuasca" (que organiza com Wladimir Sena
Araújo), ela nos descortina, em cores vivas, tanto uma realidade
relativamente desconhecida que emerge da sua pesquisa com estatuto de
objeto, quanto o surgimento de uma área acadêmica voltada para seu
estudo: o "campo ayahuasqueiro brasileiro", as "religiões ayahuasqueiras"
e a "rede ayahuasqueira". O neologismo que a autora introduz - como uma
categoria que promete emplacar na nossa antropologia (da religião) - diz
respeito à ayahuasca, palavra da língua quéchua que designa uma
beberagem, infusão do cipó Banisteriopsis caapi e da folha Psychotria
viridis, produzindo a substância química dimetiltriptamina (DMT) que
atua como um neurotransmissor do sistema nervoso central, levando a
visões, transes, interpretados como uma experiência religiosa ou
espiritualizada.
Planta psicoativa utilizada por curandeiros, xamãs e "vegetalistas" em
contexto indígena sul-americano, apenas no Brasil, o seu uso propiciou o
surgimento de religiões de população nacional - o Santo Daime, a União
do Vegetal e a Barquinha - fruto da combinação do chá "sagrado" com
tradições religiosas que se desenvolvem no país, a saber: o catolicismo
popular, as religiões afro-brasileiras, o espiritismo kardecista e o
esoterismo. No presente livro (originalmente uma dissertação de mestrado
em Antropologia defendida na Unicamp e ganhadora do prêmio ANPOCS da
melhor dissertação do ano 2000), todavia, não são as religiões
ayahuaqueiras o foco central da preocupação da autora (aliás, muito bem
resenhadas no livro anterior, em um elucidativo texto de Labate, "As
Religiões Ayahuasqueiras Brasileiras" ), mas os grupos e indivíduos "neo-ayahuasqueiros"
que, em contexto urbano, associam o consumo do chá com uma postura
reflexiva do self, individualização, subjetividade, emocionalismo,
re-inventando-o a partir de combinações com técnicas de meditação
oriental, terapias corporais, psicoterapias, à maneira pós- moderna e
new age.
Concordando com Mauro Almeida, prefaciador do livro e orientador da
autora na sua dissertação, trata-se "da reinvenção de uma reinvenção"
(p.13), já que as matrizes religiosas ayahuasqueiras já são uma
combinação sincrética em solo brasileiro, em cima de outras religiões
com densidade popular, conforme descrito acima. E, indo um pouco além,
penso configurar-se uma cascata de reinvenções: num primeiro plano, o
uso da beberagem por indígenas amazônicos; num segundo nível, sua
apropriação por curandeiros da América do Sul; num terceiro, a criação
de religiões brasileiras de consumo do ayahuasqua que se espraiam para
as cidades, incorporando as camadas médias urbanas, com seus aportes,
dentro da cultura amazônica de seringueiros, e na sua forma mais
recente, a reinvenção do uso do chá pelos neo-ayahuasqueiros que
articulam a cosmologia cabocla do Santo Daime com a terapêutica e outra
práticas new age e os chamados orientalismos.
Deste "núcleo duro" das religiões "daimistas" desdobra-se uma rede
difusa de usuários da ayahuasca, através de experimentações deste
consumo ligado a terapias holísticas, ao neo-xamanismo, ao teatro, à
música, ao turismo psicodélico e às práticas new age das mais diversas
matizes. Mediando o circuito que irrompe daquele ponto de partida, a
etnografia de Beatriz Labate nos apresenta nichos de referência (ainda
que, e muito por isso, ecléticos), como o grupo do terapeuta holístico
Janderson, que se organiza em torno de rupturas e permanências em
relação às matrizes daimistas, atraindo, com isto, toda uma gama de
demandas "espiritualistas" da classe média urbana, e sediando-as no seu
Centro Terapêutico e no ritual "Caminho do Coração". Isto se dá através
de workshops com xamanismo, psicoterapias e meditações, à maneira dos
Centros Holísticos descritos por J. Guilherme Magnani nos seus estudos
sobre o neo-esoterismo nas cidades .
Ao analisar essa circulação ininterrupta de desterritorializações e
processos de re-significação de rituais e cosmologias em novos
contextos, Beatriz Labate realiza uma sutil operação analítica entre as
esferas do tradicional e do moderno, pensando-os em meio a tensões e
interpenetrações. Se, por um lado, ocorre uma dinâmica de diversificação
e fragmentação a partir das matrizes ayahuasqueiras, estes
desdobramentos se encontram ligados à narrativa de referência destas
religiões daimistas "tradicionais". É uma constante nos discursos de
Janderson e de seus seguidores a prática de afastamentos e re-criações
entremeadas com reconhecimentos de uma filiação à linhagem daimista. De
um lado, a crítica ao 'cristianismo piegas" do Santo Daime (p. 120) ao
"militarismo" da fiscalização nos rituais, sua rigidez e conservadorismo
e, de outro, a permanência dos significados originais, como o
reconhecimento da essência divina do chá e a busca de uma garantia da
procedência "original" desta bebida sagrada nos rituais autorizados das
"religiões daimistas" e nas figuras abalizadas dos seus "padrinhos",
"mestres", a quem é concedida uma deferência "espiritual".
A faceta de atração e repulsão entre tradicional e moderno a partir do
Santo Daime, que configura processos de identidade e distinção entre os
"religiosos ayahuasqueiros" e os neo-ayahuasqueiros, já tinha sido
observada num dos trabalhos seminais sobre Nova Era no Brasil de autoria
de Anthony D'Andrea. Disse ele: "tende-se a confundir o discurso
psicologizado de segmentos elitizados frequentadores do Santo Daime (daimistas
ou não) com a 'doutrina' (o sistema) em si. O ponto é que o Santo Daime
só deve ser considerado como ligado a processos New Age se for
apropriado individualista e reflexivamente pelos indivíduos. Nesse
sentido, muitos daimistas e os fundadores do movimento (Mestre Irineu e
Mestre Sebastião) definitivamente não tinham o objetivo de constituir um
sistema individualista-reflexivista".
Dentro desta dinâmica de polaridade e complementação, a autora distingue
dois domínios, o "campo ayahuasqueiro" e a "rede ayahuasqueira", em
constante fluxo de comunicação, onde o primeiro pode ser compreendido
mais dentro da modalidade clássica da teoria bourdiana, através de um
centro autorizado de produção de bens simbólicos e de seus agentes
legitimados para tal, na relação com seus consumidores; e o segundo na
feição de "rede" proveniente da categoria rizoma de Deleuze e Guattari,
onde qualquer ponto pode ser conectado a qualquer outro, sem nenhum
centro ou ponto de origem (p. 307).
Isto não quer dizer que o modelo "tradicional" também não se configure
de uma forma eclética, incorporando dimensões de outros contextos, ainda
que estas contribuições terminem acondicionadas em um sistema
estruturado, de "diversidade interna controlada" (p. 113); nem, por
outro lado, que os neo-ayahuasqueiros (como Janderson e seu grupo), com
sua dinâmica de intensa plasticidade, onde, no limite, tudo é possível,
não possuam, também, "mecanismos de controle" baseados em um "sistema"
(provisório), com seus rituais, hierarquias, que se auto-constrói e se
auto-fundamenta no próprio percurso do líder e seus colaboradores pelas
diversas realidades constituintes deste "sistema" (religiões daimistas,
terapias new age e os orientalismos).
O transcurso de toda essa fluidez de itinerários caleidoscópicos
torna-se palpável ao leitor pela precisão da descrição etnográfica
realizada pela autora: dos rituais, da cosmologia e das "histórias de
vida" dos membros do grupo o "Caminho do Coração". Este é apresentado
como um paradigma da "rede", por funcionar como uma "estalagem" e
"pouso" para a itinerância "espiritual", ao mesmo tempo que incorpora
toda sua diversidade dentro de si.
Dentro do grupo de Janderson, o daime (chá), mesmo resguardadas suas
propriedades divinas, não é visto com a centralidade devocional com que
ele é apreciado nas religiões daimistas. Aqui ele é encarado como uma
via, dentre outras, de auto-conhecimento e "iluminação". É tomado como
um "acelerador de processos" (p. 367) da meditação, regressão,
respiração etc. Nesse sentido, sua utilização pode ser combinada com
uma infinidade de técnicas "neo-esotéricas", dentro de uma lógica que,
segundo Leila Amaral, se articula " a partir da incorporação de
elementos rituais, míticos e mágicos de diversas tradições com a
condição de se quebrar as ortodoxias de seus códigos originais e inibir,
dessa forma, qualquer possibilidade de positivar uma determinada direção
cultural nas relações e articulações que realizam."
Passo a citar, de uma forma mais livre, as diversas práticas, técnicas e
performances, que através da etnografia de Labate, destacam-se no grupo
de Janderson, seu Centro Holístico e no "Caminho do Coração": A terapia
primal do psicólogo Artur Janov, o descondicionamento do místico russo
Gurdjieff, o rebirthing de Leonardo Orr, técnicas de respiração
holotrópica de Stanislav Grof, terapia corporal bioenergética do
psiquiatra A. Lowen, meditação com discípulos de Osho, a yoga, o
Tantrismo, o jogo indiano Maha'Lila, o baralho do Tarot, feitura de
Mandalas, os Sat-Sangs, reuniões de discípulos com o Mestre, oráculos
musicais, neoxamanismo, psicoterapias, trabalhos mediúnicos de "banca" e
de "mesa branca", diagnose e orientação alimentar, trabalho com florais,
etc.
Ao aprofundar o seu entendimento sobre o que chamou de fenômeno
neo-ayahuasqueiro, interpretando-o dentro de um quadro da cultura
(pós-moderna) contemporânea, Beatriz Labate prossegue, introduzindo uma
posição ética na sua problemática, que envolve uma tomada de posição dos
antropólogos e da Antropologia em defesa dos grupos que estudam. (ainda
que dentro do ethos da disciplina, na defesa do relativismo e
multiculturalismo). Sua análise, a partir das teorias de Victor Turner e
Mary Douglas, percebe argutamente a condição liminar, marginal e
fronteiriça vivida pelos neo-ayahuasqueiros, (no que tange ao consumo
deste psicoativo ) entre a forma como se conseguiu obter sua legalidade
no país, ou seja, através do seu uso em contexto religioso e o que
extrapola a isto, o uso terapêutico, artístico, comercial etc (p. 97).
As re-apropriações do chá, promovidas por esses indivíduos e grupos,
flexibilizando o uso ritual/religioso próprio às religiões daimistas,
terminam por deixá-los numa posição incômoda, tanto frente às religiões
matrizes quanto às racionalidades médicas e jurídicas, e, por fim, a
setores do próprio universo new age que rejeitam o uso de psicoativos
como forma de "despertar a consciência". O desconforto que esses
"não-lugares" - expressão de Marc Augé - provocam nos "campos"
estabelecidos se explica na sua própria conformação, que questiona a
idéia de que conhecimentos, visões de mundo, crenças e práticas têm de
estar subsumidas à domínios específicos.
Ao alcançar uma formulação mais precisa sobre a natureza de seu objeto,
a autora define sua posição, propugnando que os new agers ayahuasqueiros
não devem ser anatemizados, pois argumenta, de um lado, que a definição
do que é uma religião, tradição ou ritual não pode ser vista sob um
crivo essencialista (p. 98), tendo-se que levar em conta o "ponto de
vista nativo" das representações que fazem de si mesmo; e, de outro, que
existe nos neo-ayahuasqueiros uma real preocupação de evitar um uso
hedonista da substância, cercando-a de regras e mecanismos de controle,
a partir de elaborações discursivas e simbólicas baseadas em
referenciais filosóficos e terapêuticos que constituem suas "cosmologias"
e crenças. Ao fazer isso, Labate se insere numa perspectiva "antiproibicionista"
de antropólogos críticos de um dualismo que naturaliza o seu próprio
consumo como lícito e legítimo, "(seja el(e), o café, o álcool, a
heroína, a Cannabis ou o daime)" (p. 100) e "demoniza" aquele que lhe
parece exótico. Defende que a forma mais eficaz de evitar práticas com
psicoativos que danifiquem a saúde (física e psíquica) dos indivíduos
não é o controle externo e institucional por um aparato
jurídico-policial, mas um auto-controle exercido pelas próprias
comunidades que irrompa do seu próprio horizonte
sócio-cultural-religioso (p. 99).
Seguindo a boa postura do labor antropológico, ela explicita o lugar de
onde fala, defendendo ousadamente (a partir de uma discussão dentro do
estilo de nossa disciplina, sobre os temas do distanciamento, do
controle do bias etc.) a possibilidade de êxito de uma "antropologia
nativa" (p. 30). Define-se, desta forma, como uma "antropóloga
ayahuasqueira", ligada ao fenômeno do ponto de vista de dentro e de fora
(p. 53). No entanto, como observa Mauro Almeida no prefácio ao livro (a
quem acompanho nesta percepção), a despeito dela sublinhar a relevância
da experiência como única forma possível de estabelecer "comunicação com
a alteridade de realidades metafísicas" (p. 17), a autora "quase nunca
se dedica a 'recuperar a experiência' dela mesma, conservando, em vez
disso, um tom de objetividade e de discreta simpatia com os
ayahuasqueiros" (p. 17). Faço apenas um reparo ao comentário. Diria eu,
que ela conserva uma assumida simpatia, todavia, não à moda "nativa"
pelo motivo de ter-se "fardado" em uma das religiões ayahuasqueiras (p.
29), mas à maneira antropológica, como alguém que aprendeu (a partir da
experiência "no campo") a compreender a lógica interna deste "outro" (neo-ayahuasqeiro),
mesmo que este exerça foros de crítica e assuma práticas heterodoxas em
relação ao sistema do qual ela declina adesão pessoal. Creio que ela se
insere no campo ayahuasqueiro vendo nele uma comunidade de posições
constituídas a partir de sentidos (distintos e similares) atribuídos ao
daime - aqui plenamente dentro do métier antropológico - mas, também,
reconhecendo a magnitude de sentido que emana do fenômeno, e, nesse
particular, faz uma total reserva quanto à sua experiência pessoal,
preferindo verter este reconhecimento para a compreensão antropológica
que "acredita na crença de seus nativos".
Por isso, suas percepções acerca de uma fenomenologia da experiência do
sagrado com a ayahuasca esclarecem-se dentro da melhor tradição da
teoria antropológica, a partir de categorias como: eficácia simbólica,
identidade contrastiva, consenso social, hierarquia/individualismo,
ritos de passagem, liminaridade, performance, etc. E sua postura de
envolvimento (identidade) com a alteridade ayahuasqueira, dentro do
texto do livro, fica sempre circunscrita a "aspectos éticos e políticos
envolvidos no fazer antropológico" (p. 53). Isto se dá quando
desenvolve, de acordo com esses pressupostos, experimentos extremamente
criativos no seu trabalho de campo, como a leitura do texto da tese
junto com os informantes, a incorporação nesse texto de trechos de
autoria dos próprios informantes (numa prática semelhante à que Maurice
Leenhardt introduzira na sua pesquisa junto aos melanésios, depois
revalorizada pelo olhar pós-moderno de James Clifford) e a retribuição
do pesquisador ao grupo, ajudando-os, a partir de seus conhecimentos
acadêmicos, nas suas demandas jurídicas e econômicas frente à sociedade
(p. 53-60).
Desta maneira, pode-se concluir que, além do preciso detalhamento
etnográfico e do rigor acadêmico que organizam seu texto, o livro de
Beatriz Labate se insere na perspectiva do que chamo uma "antropologia
militante", que se explicita numa dupla direção: primeiramente no seu
esforço por implantar uma nova área temática de estudos na antropologia
brasileira (isto se evidencia, apesar de sua juventude, na publicação
deste livro, do anterior citado e de outro ainda, no prelo "O uso ritual
de plantas de poder", em parceria com Sandra Goulart), e, também, pelo
seu empenho, referenciado na autoridade da pesquisa antropológica, em
emprestar uma legitimidade ao fenômeno ayahuasqueiro (seus agentes, seus
grupos, etc.) perante à sociedade e ao Estado brasileiro.
A forma como se deixou representar na foto da contra-capa do seu livro é
sintomática da persona acadêmica desta jovem "antropóloga ayahuasqueira",
já tão ativa na liderança de projetos constitutivos dos estudos acerca
do tema. Ela tem nas mãos um exemplar do seu livro e ao fundo, não uma
estante de biblioteca com lombadas de livros, como muitos intelectuais
gostam de se mostrar, mas, sim, o verde exuberante de uma mata.
FILORAMO, G. & PRANDI, C. As Ciências das Religiões. São Paulo: Paulus,
1999.
MAGNANI, J. Guilherme. Mystica Urbe. Um estudo antropológico sobre o
circuito neo-esotérico na metrópole. São Paulo: Paulus, 1999.
D´DANDREA, Anthony. "O self perfeito e a Nova Era: individualismo e
reflexividade em religiosidades pós-tradicionais., dissertação de
mestrado, IUPERJ, 1996, p.191.
AMARAL, Leila. "Um Espírito sem Lar: sobre uma dimensão 'nova era' da
religiosidade contemporânea". In Circuitos Infinitos: comparações e
religiões no Brasil, Argentina, Portugal, França e Grã Bretanha. Otávio
Velho (org.) São Paulo: Attar Editorial, 2003, p.48.
(*)
Marcelo Ayres Camurça:
doutor em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em
Antropologia Social (PPGAS) do Museu Nacional-UFRJ e docente do
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião (PPCIR) da
Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF).
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