"Alcoolismo:
um problema social": Entrevista com Angela Maria Garcia sobre o alcoolismo, estudado à luz
das teorias sociais, com base no seu livro recém publicado: E o verbo
(re) fez o homem. Niterói: Intertexto, 2004, 178p.
Angela
Maria Garcia é mestre em Antropologia e doutoranda pelo mesmo
Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Ciência Política da
Universidade Federal Fluminense (UFF, em Niterói - RJ). Vinculada ao
Grupo de Trabalho Transmissão de Patrimônios Culturais (GAP/UFF),
participou do Projeto de Pesquisa O alcoolismo e a exclusão social,
coordenado pela Profa. Delma Pessanha Neves. O desejo de aprofundar as
questões descobertas com a sua participação naquele projeto resultou em
tema para a sua pesquisa de mestrado e na publicação do livro E o
verbo (re) fez o homem (Niterói: Intertexto, 2004, 178p.), sobre
o qual ela nos fala nesta entrevista.
Bem
fundamentado por pesquisa de campo e análise teórica, o seu texto
constitui leitura fluida e agradável, iluminando aquele que representa,
conforme destacou C. Mariz, um dos maiores problemas de saúde pública no
Brasil: o alcoolismo. E o verbo (re) fez o homem constitui o
primeiro volume de uma coleção intitulada Consumo de bebidas
alcoólicas: Práticas e Representações, organizada pela Profa. Delma
Pessanha Neves, do PPG em Antropologia da UFF, e pela Profa. Cecília
Loreto Mariz, do PPG em Ciências Sociais da UERJ.
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CVA - Angela, na sua abordagem
metodológica sobre o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, você deve
ter encontrado muitas barreiras, privilegiando, como objeto de
investigação, os freqüentadores de bares e da instituição Alcoólicos
Anônimos que, diga-se de passagem, presta um enorme serviço à sociedade.
Você pode nos contar sobre as dificuldades encontradas; sobre as suas
estratégias de inserção; aceitação ou não-aceitação da sua pessoa como
pesquisadora neste campo tão problemático?
Angela
- Desde os preparativos para o trabalho
de campo, no âmbito do projeto “O alcoolismo e a exclusão social”,
prevíamos as dificuldades para a pesquisa nos bares, especialmente os
selecionados, considerando o tema e a condição de mulher (minha e de
outra aluna na equipe de pesquisa) num espaço que, em nossa sociedade,
tem privilegiado a sociabilidade masculina.
Para dar
início a este trabalho, procuramos ler alguns textos com o objetivo de
compreender as representações e as relações sociais entre
proprietário-freguês nos bares. Assim, pudemos elaborar formas de
entrada no campo. Tendo em vista prescrições e discriminações atribuídas
aos consumidores de bebidas alcoólicas que, nestes bares, têm recebido a
classificação de bêbados, cujas presenças podem também
representar, tanto para os outros fregueses quanto para os
proprietários, a desqualificação do ambiente, resolvemos nos apresentar
como pesquisadores sobre “os bares na cultura popular brasileira”. Mas,
mesmo com esta preparação, não nos foi fácil.
No meu
caso, circulei durante uns três dias por algumas ruas do bairro com a
finalidade de escolha do bar. No dia reservado ao contato inicial, não
tive coragem para entrar no bar selecionado: ele estava repleto de
homens consumindo cerveja ou cachaça e senti-me impedida de entrar.
Andei um pouco e encontrei outro bar que me pareceu mais autorizado ao
trabalho, pois, no balcão, havia uma mulher. Senti-me mais à vontade. No
entanto, a relação que precisei estabelecer com a mulher e o homem que
trabalhavam naquele bar, para viabilizar a pesquisa, trouxe-me mais
tarde problemas, como aquele sobre o episódio que destaquei na segunda
parte do livro (o freguês bêbado chama a minha atenção sobre o que ele
considera uma imagem negativa de mulher que freqüenta bar).
Por mais
que eu insistisse, não estava autorizada a permanecer em certos bares.
As contingências da pesquisa levaram-me a percorrer outros bares. Foi um
trabalho repleto de limites impostos, especialmente, pelas
representações sobre uma mulher desacompanhada naquele espaço e pelo que
não podia ser dito – pelo menos a um pesquisador – sobre eles e sobre as
maneiras de beber, ali representadas. No entanto, se meu tempo de
permanência era limitado, restringindo-me aos horários de menos
movimento nos bares, isto favoreceu-me a observação de representações
sobre “consumidores abusivos de bebidas alcoólicas”, geralmente
classificados como bêbados, cuja permanência é vedada nos horários de
maior freqüência.
Se a
condição de mulher dificultava meu trabalho no bar, a condição de
pesquisadora parecia facilitar o trabalho no Grupo de AA. Eu disse
“parecia” porque minha presença era solicitada, inclusive. Neste caso,
como analiso no texto, os limites estabelecem-se na institucionalização
dos espaços reservados à pesquisa e na repetição de informações - todos
os membros do grupo e da Intergrupal se dispunham a prestar informações
sobre a instituição e o alcoolismo nas entrevistas das “reuniões
abertas” e nas publicações da instituição. Se, de um lado, isto
facilitava a minha coleta de informações; por outro lado, dificultava o
meu distanciamento para pensá-las como dados. Afinal, no interior do
Grupo AA, eu estava lidando com uma questão socialmente aceita como
“problema”, numa instituição que investe na reificação desta concepção,
como uma das formas de sua reprodução. Na condição de pesquisadora, a
dificuldade maior foi transformar este “problema social em objeto
sociológico”.
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CVA - Você explicita e trabalha com
categorias conceituais como alcoolismo, alcoólatras,
alcoólicos ativos e alcoólicos passivos e fala também de
passagens de uma categoria a outra. Você poderia explicar para nós estes
termos e estas passagens?
Angela
- Penso em alcoolismo e
alcoólatra como termos classificatórios para a análise que me
permitiu pensar o consumo de bebida alcoólica como um ato social,
impregnado de “pré-noções” que induzem a (des)qualificações. Os
integrantes do grupo de A.A. com os quais realizei a pesquisa
utilizam-se dos termos alcoólico ativo e alcoólico passivo
como classificatórios de modos de vida que, metodologicamente, a cada
apresentação pública
contrapõem para ouvir-se e fazer-se escutar ou entender. Eles
empregam o termo alcoólico ativo, quando desejam fazer referência
ao seu passado, quando bebiam ou àqueles que ainda bebem. E empregam o
termo alcoólico passivo, para falarem do presente. Como tomei
para análise a apresentação que os integrantes do grupo pesquisado fazem
de si, e eles se apresentam como tendo passado da condição de
alcoólico ativo para alcoólico passivo, de um universo de
significação a outro, tomei a idéia de passagem, negociada entre
sistemas simbólicos, como recurso metodológico para a análise da
participação desses indivíduos na construção de uma visão de mundo, por
eles avaliada como diferenciada daquela anterior à sua adesão ao sistema
de crenças, assim elaborado.
Pela
busca de mudanças de comportamento, os adeptos a este sistema de crenças
participam do processo pela fala, colocando-se em constante interlocução
entre dois mundos, por eles pensados como o do alcoólico passivo
contraposto ao do alcoólico ativo. Através desta prática, eles
negociam conteúdos simbólicos, definidos pela polaridade entre aqueles
que, na visão ora assumida, adotam o ato de consumir bebida alcoólica
como um modo de vida, distinguido deles que, por não poderem beber,
adotam a abstinência como meio de vida. Eles investem, assim, na
produção da eficácia de um processo de mudança, pensado como conversão
em outro universo de significação e, conseqüentemente, em uma outra
identidade.
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CVA - O teu trabalho é muito esclarecedor
do ponto de vista do apoio social e psicológico prestado pela
instituição Alcoólicos Anônimos. De acordo com a tua pesquisa, trata-se
de uma “irmandade” (você usou este termo), originária dos EUA e chegada
ao Brasil nos anos 1930. Em que termos a instituição é uma irmandade?
Como e com que recursos ela se mantém? Existe A.A. no Brasil inteiro? O
brasileiro conhece e recorre a esta instituição?
Angela
- Empreguei o termo irmandade,
em itálico, apenas para demonstrar como os membros da instituição a ela
se referem. Esta é a forma como a instituição é definida no texto
oficial de sua apresentação (p.45). Não investiguei os motivos que
levaram os idealizadores da instituição a esta definição. Acredito que,
além da inspiração nos movimentos de temperança do século XIX, seja uma
maneira de afirmar o sentido que buscam conferir à instituição, como uma
sociedade de combate a um “mal coletivo”, bem como uma necessidade de
congregação por um ideal de igualdade de condições e de interesses
comuns de seus membros. Penso esta instituição como agregadora de
indivíduos que (re)produzem um quadro de pensamentos capazes de conferir
significados e de atribuir sentidos à sua prática.
De acordo
com as informações de seus membros, a instituição tem representação em
180 países (repetem esta informação a cada reunião que conta com a
presença de visitantes ou destinada ao público em geral) e em todos os
estados do Brasil. Como limitei meu trabalho à participação dos
integrantes de um determinado grupo, não questionei estas informações.
Tomei-as como uma das formas de afirmar a eficácia que procuram atribuir
à instituição, como um dos recursos do processo terapêutico. Ainda
segundo as suas informações, a instituição tem sido financeiramente
mantida com recursos advindos das doações recolhidas a cada reunião.
Esta prática está prevista no conjunto de princípios reguladores das
ações dos grupos, denominado Doze Tradições. No texto, quando
trato da reunião, faço referência a esta prática, identificada na
“sétima tradição”.
Não há
unanimidade na aceitação dos métodos desta instituição. Durante a
pesquisa, tomei conhecimento de um grupo, formado por pessoas que
fizeram parte do A.A. na cidade do Rio de Janeiro, as quais consideram
necessárias outras formas de abordagem e atendimento às pessoas que
vivem no alcoolismo ou que estão pelas ruas por este motivo,
necessitando de ajuda. A julgar pela adoção do sistema terapêutico desta
instituição, bem avaliado por outros grupos de ajuda mútua e pelo
destaque que vem recebendo na mídia, acredito que a instituição tem sido
bem divulgada e aceita entre os brasileiros. Não tenho informação sobre
os números.
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CVA - Ainda sobre a AA, podemos dizer que
ela tornou-se um modelo para outras, como a N.A., por exemplo? Podemos
dizer que a A.A. existe enquanto entidade centralizadora de grupos
menores, como o grupo que você pesquisou, mais pontualmente? Estes
grupos lhe são subordinados ou têm autonomia? Existe uma hierarquia
interna aos grupos?
Angela
- Acredito que sim. Não são poucos os
grupos que adotam o sistema dos Doze Passos e a forma de condução
terapêutica empregada pelos integrantes de Alcoólicos Anônimos.
Diretamente ligados a esta existe a Al-Anon e a Alateen,
que se definem pelo atendimento a parentes, amigos e filhos,
respectivamente, de dependentes de álcool. O jornal O Globo
(edição de 13/05/2001) trouxe em uma coluna de utilidade pública, uma
matéria intitulada “Grupos ajudam dependentes”, que informava endereços,
além de várias instituições do gênero. Além da A.A. e da Al-Anon: a
Narcóticos Anônimos, definido como prestador de assistência a
dependentes de drogas; a Nar-Anon, prestador de assistência a
parentes de dependentes de drogas; a Jogadores Anônimos,
direcionado às pessoas que têm compulsão pelo jogo; a Jog-Anon,
para orientação a parentes e amigos de jogadores compulsivos; e a
Comedores Compulsivos Anônimos, para atender às pessoas que sofrem
de compulsão por comida. Temos conhecimento ainda do grupo dos
Neuróticos Anônimos e de outros menos conhecidos, dos quais não
tenho registro.
Podemos
dizer que a Alcoólicos Anônimos institucionalizou-se numa estrutura
organizativa que compreende uma sede mundial (localizada nos EUA) e
escritórios centrais em cada país. No Brasil, o escritório central é
denominado Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil, que se subdivide
em escritórios regionais, distritais, locais e nos grupos. Esta Junta
publica um Manual de Serviços (constante da bibliografia do meu texto),
no qual apresenta toda a estrutura e organograma de cada divisão. Os
integrantes da instituição advogam a autonomia de cada grupo. Numa ordem
hierárquica, os membros de um grupo prestam contas de seus “serviços” ao
escritório local que, por sua vez, dirige-se ao distrital, ao regional e
daí por diante. Este é o quadro idealizado pelos organizadores da
instituição.
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CVA - As tuas argumentações teóricas
reúnem de um lado as limitações da Medicina no tratamento da doença
alcoolismo, e de outro, o apoio social e espiritual por parte da A.A. O
alcoolismo é abordado como uma doença tratada através de uma estrutura
semelhante à religiosa. Você poderia nos falar um pouquinho da A.A. como
uma religião?
Angela
- Entendo que a instituição Alcoólicos
Anônimos pode ser pensada como um sistema de crenças, com práticas que
se assemelham às religiosas (os passos da reunião que lembram um culto
de algumas igrejas cristãs, o proselitismo praticado por seus adeptos, a
evocação de um “poder superior”). Por estas práticas, ela constitui,
como nas religiões, um empreendimento humano pelo qual se estabelece um
universo de significação que, a posteriori, confere ordem à vida
daqueles que aderem a este sistema de crenças. A oposição entre esta
ordem (expressa pelo hoje) e o caos (expressa pelo antes) é evocada a
cada reunião na narrativa das experiências de vida. Os adeptos de A.A.
acreditam que, estando numa relação correta com a instituição,
freqüentando as reuniões e seguindo os princípios sistematizados nos
Doze Passos, Doze Tradições e Doze Conceitos, estão se
protegendo dos males que o caos (simbolizado pelo alcoolismo) pode lhes
causar. Alguns adeptos declararam que procuram fazer de AA a sua
religião, conforme comento no texto, apesar dos idealizadores da
instituição negarem esta condição.
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CVA - Do seu ponto de vista, como entender
as responsabilidades do indivíduo e da sociedade frente ao problema
social que é o alcoolismo? Trata-se de doença social? Herança biológica?
Debilidade de caráter individual? Problema mental? Espiritual?
Considerando que se trata de um problema que atinge não só a sociedade
brasileira, mas as sociedades humanas, como entender o alcoolismo no
Brasil e no mundo? Podemos dizer que o alcoolismo tem sempre a mesma
origem, é devido aos mesmos fatores?
Angela
-
Como procuro destacar no texto, o fenômeno do alcoolismo tem sido
abordado em vários campos disciplinares, muito mais pelo esforço de uma
conceituação da patologia física ou psíquica. Este fato tem
secundarizado o estudo das suas representações elaboradas por parte de
quem vive sob a classificação de alcoólatra. Ou seja, a busca por
explicações plausíveis sobre este fenômeno encapsulam os campos
produtores de concepções que o qualificam. Cada campo disciplinar que
concorre por uma explicação o vê com o olhar da sua disciplina. Isto
dificulta dizer do que se trata afinal.
Busco, no
texto, compreender como indivíduos que vivem sob a acusação de ser um
alcoólatra criam um universo de significação que lhes permita conviver
com
o alcoolismo e, ao fazerem isto, produzem significados que não só
dão existência ao fenômeno como conferem sentido às acusações.
Conceitualmente, o termo alcoolismo está associado a uma maneira de
consumir bebida alcoólica. Um dos caminhos para buscar entendê-lo, em
qualquer sociedade, significa compreender como os indivíduos, através de
suas afiliações institucionais, concebem o consumo de bebidas
alcoólicas, considerando, inclusive, que as maneiras de beber variam
segundo os grupos sociais que a praticam. Da mesma forma, variam os
significados, explicações e maneiras de relacionar-se com fenômeno.
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CVA - Muito interessante no teu livro é
conhecer o ponto de vista do alcoólico, a consciência que ele tem de
degradação e, igualmente, o desejo de salvação. Cada um deles traz
invariavelmente uma triste história de vida que associa o que você
analisa em termos de “fundo do poço”, a uma variante de conversão, com o
apoio social e espiritual da AA. Lembro-me de uma declaração
particularmente eloqüente de um entrevistado que associou as três fases
do alcoolismo às atitudes arquetípicas de três animais – o macaco, o
leão e o porco. Gostaria que você comentasse aquela declaração e
expusesse o teu ponto de vista sobre este processo de degradação.
Angela
- Essa consciência é construída no
processo de adesão ao sistema de crenças que se produz entre os
afiliados de Alcoólicos Anônimos. A dramatização das histórias pode ser
pensada como parte do processo. Quanto mais dramática a narrativa, mais
eficaz converte-se a adesão. Aqueles que não passaram por situações que
possam ser identificadas como “o fundo do poço” investem no drama de
algum conhecido.
O recurso
da analogia aos bichos é empregado por vários integrantes do grupo.
Geralmente pelos mais antigos, em entrevista ou quando da presença de
visitantes ou “novatos”, buscando resumir a trajetória de descenso,
vista, naquele quadro de pensamentos, como necessária para o alcoólico
que continua na ativa. Ouvir as histórias que resumem o processo de
degradação tornou-se uma das partes mais difíceis da pesquisa. Em vários
momentos, surpreendi-me com lágrimas nos olhos. Durante algumas
entrevistas, precisei interromper o diálogo para conter as emoções,
tanto do interlocutor como minhas.
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CVA - As ciências sociais de modo geral
têm dado pouca atenção aos estudos sobre o problema do alcoolismo, como
você já atestou. A iniciativa das professoras Delma e Cecília, com a
organização de uma coleção intitulada “Consumo de bebidas alcoólicas:
práticas e representações”, que este teu livro inaugura, certamente
pretende corrigir ou diminuir esta “desatenção”. Você poderia comentar,
do seu ponto de vista, os motivos pelos quais um tema de pesquisa tão
importante tem sido neglicenciado?
Angela
- Acredito que um dos motivos esteja na
eficácia alcançada pelas versões que têm sido apresentadas, sobre o
fenômeno do alcoolismo; pelos vários campos disciplinares que se
dedicaram à questão. Estas versões (como as produzidas por estudiosos da
medicina, psiquiatria, psicologia, ou mesmo teóricos afiliados a
instituições como Alcoólicos Anônimos) encontram-se de tal forma
cristalizadas na sociedade, que, como dizia Durkheim, “são como um véu
que se interpõe entre as coisas e nós e acaba por dissimulá-las tanto
melhor quanto mais transparente julgamos ser tal véu.” Talvez resida aí
a maior dificuldade em realizar estudo sociológico sobre esta questão.
Inclusive para a realização do trabalho de campo.
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CVA - Angela, em nome da CVA, parabenizo a
seriedade e a qualidade do teu trabalho. Obrigada pela entrevista,
Gláucia.
Angela -
Os agradecimentos são meus, pela oportunidade de estar trazendo ao
debate uma questão tão importante para a nossa sociedade, Ângela.