Míriam
Virgínia Ramos Rosa é doutoranda na UNB e mestre em Antropologia
Social pela mesma instituição. A sua dissertação de mestrado sobre uma
comunidade negra, localizada em Espinho, no município de Gouveia-MG, deu
origem ao livro que acaba de publicar com o título: Espinho. A
desconstrução da racialização negra da escravidão, pela
Thesaurus Editora, de Brasília, 2004.
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CVA -
Miriam,
não faz muito tempo desde quando começamos a ouvir falar e a estudar
quilombos e quilombolas no Brasil, não é verdade? Eu mesma, lendo
recentemente dados estatísticos relativos às suas existências, fiquei
surpresa com a sua importância: dados oficiais apontam 743 áreas de
remanescentes de quilombos e população estimada em 2 milhões de
quilombolas; enquanto que estimativas não-oficiais, admitem a existência
de mais de duas mil comunidades! Existe uma data ou um momento em que os
quilombos e quilombolas começaram a ser descobertos, melhor conhecidos
e, finalmente, estudados pelos antropólogos?
Míriam
- Sim esta temática é relativamente recente, porém é conveniente
ressaltar que muitos autores negros ou não sempre falaram mesmo que
implicitamente sobre a existência dos quilombos, contudo sempre de uma
forma como se o quilombo fosse algo relativo ao passado.
Formalmente pode-se datar a última constituição
(1988), como o marco para estes estudos, tanto pelas comemorações do
centenário, quanto ao artigo 68 da seção dos Atos e Disposições
Transitórias, que fala sobre a concessão dos títulos de propriedade aos
remanescentes de quilombos.
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CVA - Corrija-me, por favor, está correto falar
em “quilombos” e “quilombolas”? Quer dizer, estes termos utilizados no
passado de Palmares, são ainda utilizáveis ou precisam ser revistos
substituídos por expressões do tipo “remanescentes de quilombos” ou
coisa assim?
Míriam - “Remanescentes de quilombos” vem
sendo o termo preferencialmente adotado por agências governamentais ou
não e também por parte dos acadêmicos.
Mas é preciso refletir sobre a idéia que a palavra
quilombo nos remete. Se Palmares é nosso maior referencial histórico de
quilombo, a idéia de que quilombo refere-se a um passado de confrontos
diretos e sangrentos se cristalizou de tal forma, dada sua magnitude, em
nossas mentes, como se este modelo de luta assertiva, com uso de armas
fosse o único modelo para os negros subalternizados no Brasil. Também
houve e ainda há uma resistência muito forte dos negros no país, porém
de formas as mais diversas, às vezes mais silenciosas. Toda resistência
é válida se propõe que uma forma de vida possa existir. Muitas
comunidades identificadas como quilombos ou remanescentes na atualidade,
jamais tiveram um histórico de confronto violento com a sociedade
englobante tal como aconteceu com Palmares. Contudo gostaria de reforçar
que comunidades como Espinho, em Minas Gerais, por exemplo, são frutos
da mobilização de negros contra a subalternização escravista, sem que
tenha havido um histórico de confronto sangrento. Desta forma é preciso
sim ressemantizar o uso que se faz desta palavra. Alfredo Berno cita que
na passagem para o regime republicano o país simplesmente deixou de lado
o uso do termo, como se a abolição tivesse resolvido problemas da
inserção do negro na estrutura agrária do país. Assim é que de 1988 para
cá se percebeu que o uso da palavra quilombo se referia a um contexto
que se cristalizou no imaginário popular. Finalizando, o termo é
operante sim se tivermos em mente que o uso da palavra quilombo quer
dizer muito mais do que aparenta, isto é, quilombo pode ser pensado de
acordo com o significado bantu da palavra: “povoação, união”. Qualquer
organização de negros que questione as relações de poder do sistema
colonial e escravista; que representa uma oportunidade de mobilização,
isto é quilombo.
Quanto ao
termo remanescente de quilombos, que utilizo em meu livro sobre a
comunidade de Espinho, só agora refleti que pode ser problemático, pois
pode denotar resquício, sobras, etc. O que não é capaz de refletir a
dimensão profunda do movimento quilombola.
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CVA - E eles estão pelo Brasil inteiro ou
estão concentrados em apenas algumas regiões? Há notícias de quilombos
ainda isolados? Como é que acontece a reaproximação? É por iniciativa
deles ou é iniciativa do Estado, de ONGs, de antropólogos ....
Míriam - Sim há quilombos espalhados em todo o
território nacional em lugares como a região amazônica ou no extremo sul
do país. Basta acessar a página da Fundação Palmares e observar a
diversidade regional dos quilombos registrados, além é claro dos
trabalhos como os de Acevedo e Castro sobre a presença quilombola na
região do rio Trombetas. Já é clássica na literatura sobre o tema a
“descoberta” ou reaproximação de determinados grupos como Os Kalunga (de
Goiás e Tocantins) ou de Cafundó em (São Paulo).
Mas há
hoje tanto na antropologia quanto na história, para citar apenas duas
disciplinas, as concepções que quilombos fizeram parte mesmo que
contrastivamente, do contexto escravista. Muitos quilombos mantiveram
contatos com a sociedade englobante. Veja por exemplo o caso da relação
dos garimpeiros considerados marginais no auge da empresa mineradora e
vários quilombolas da região das Minas Gerais. Muitos quilombos eram
deixados em paz, ou seja, eram tolerados ou invisibilizados, até que o
sistema deles necessitasse, quando então eram organizadas buscas e
apreensões dos chamados indisciplinados, fujões, etc.
Assim é
necessário perceber que o isolamento total é muito raro e específico.
No caso de Espinho, do qual não encontrei ainda
registros documentais de ter origem em um passado “quilombola”, têm-se
registros orais, narrativas que denunciam a presença de fugidos no mesmo
ambiente que os que não foram “nego de trabaio”. Espinho também fia
muito próximo da sede urbana do município cerca de 13 km, mesmo que se
pense na ausência de estradas nos séculos XIX (século no qual
provavelmente a comunidade se organizou) é muito delicado falar de
isolamento ou de reaproximação. Creio que para a maioria dos quilombos
isto seja coerente. Em muitos casos como o de Cafundó a descoberta foi
feita pelos meios de comunicação hegemônicos. Outro ponto é que nas
atuais pesquisas, percebe-se que a maioria dos quilombos mantinham uma
rede de contatos com setores da sociedade englobante, seja como no caso
das Minas (como contrabandistas, faiscadores e garimpeiros de pedras
preciosas), seja com pequenos comerciantes e/ou produtores de bens,
alimentos e serviços com os quais estabeleciam uma série de contatos e,
portanto, há que se relativizar o isolamento.
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CVA - A comunidade de Espinho, discriminada pelos
habitantes de Gouveia como “lugar onde só tem preto”, conforme você
comenta no seu livro, representa uma zona ambígua de difícil definição,
já que os moradores da comunidade não se reconhecem como descendentes ou
remanescentes de quilombo. Afinal, os moradores da comunidade de Espinho
são ou não são remanescentes de quilombolas? Eles estiveram isolados? E,
neste caso, quando ocorreu a reaproximação? Como foi isso?
Míriam - Como dito acima o isolamento deve ser
relativizado e contextualizado. A presença dos negros livres por
documentos legais, “de boca” ou por iniciativa própria em determinadas
frações de terra, frequentemente passou por uma visibilidade negativa,
como o afirmam Acevedo e Castro, isto é, não se dava importância a sua
ocupação da terra a não ser que esta passasse a ser valorada novamente.
A comunidade realmente não se considera como remanescente, porque não se
percebem como pessoas que por um motivo ou outro necessitavam fugir de
algo, já que na sua versão possuíam a terra (senão legalmente, de fato),
muito embora se esquivassem de viajantes que fosse percebidos nas
proximidades. Costumo apresentar Espinho como comunidade negra rural ou
como comunidade negra tradicional. Quando afirmo que são quilombolas o
faço pensando na amplitude do conceito de quilombo: união de negros
contra as diversas formas de subalternização quer de sua subjetividade,
quer de suas práticas cotidianas, crenças, etc. Quanto ao termo
remanescente como disse acima, só problematizei recentemente...
Aprendemos sempre, não é? Porém creio que até este termo possa vir a ser
ressemantizado... Contudo se quer saber se o povo de Espinho é ou não
quilombola, devo ser honesta com o que a própria população afirma. O
discurso nativo nega que sejam quilombolas, remanescentes, etc.
justamente por recusarem rótulos que não encontre eco em sua identidade
narrativa, que afirma constantemente que são apenas “negos de cor” e não
“de trabaio”.
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CVA - Eles ainda guardam elementos da cultura
africana? Estou pensando em língua ou dialeto, vestuário, religião,
regras de casamento e parentesco, cultura material, festas populares,
algum comportamento ou valor particulares ou coisas assim da cultura
africana?
Míriam - Deles é dito externamente que falam
uma “língua estranha” durante funerais. Jamais presenciei um funeral na
comunidade. A população nega que isto aconteça. As regras de casamento e
parentesco são semelhantes às de outro pequeno grupo rural não negro,
com tendências a uma endogamia. As festas, as tipucas (bailes) também
são a cara do “Brasil rural”. Mas se deseja algo “exótico” há um prato
chamado Kobu, que tem origens africanas assim como tantos outros da
culinária nacional. A diferença é que o Kobu recebe o nome de uma tribo
ou etnia pouco estudada no Brasil - os Kobu. Citada pelo pesquisador
José Moreira de Souza no primeiro livro sobre a história de Gouveia em
2003. Outro ponto marcante é que uma das narrativas míticas da
comunidade possui a mesma estrutura narrativa, passagens semelhantes de
um conto compilado no Senegal no século XIX. Fora isto as tradições
religiosas lembram muito o catolicismo português medieval. O trançado
dos cabelos das mulheres além de lindo é tradicional, mas as meninas que
vão para os grandes centros incorporam tranças artificiais das áreas
urbanas.
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CVA - Você fala no seu livro que eles se
entendem “nego de cor” e rejeitam que sejam “nego de trabaio”; quer
dizer, eles se auto-identificam negros, mas, negam que tenham sido
escravos. Esta preocupação de natureza discriminatória parece confirmar
o que Darcy Ribeiro identificou no Brasil como característico do povo
brasileiro: a existência de discriminação social mais do que o
preconceito “de cor”. O que você acha?
Míriam - Esta é questão que mais me empolga e
encanta. Levei algum tempo para compreender o que significa ser “nego de
cor” e não de “trabaio”. Para esta comunidade a negação significa
descontruir um discurso hegemônico, questioná-lo e atualizá-lo,
ressignificando-o em seus próprios termos. A comunidade tem um bom
índice de alfabetização e informação, sabem que o negro foi escravo; que
houveram quilombos, ou no seu linguajar “currais de prende escravo”; que
“Princesa Izabel que libertô eles”; que negros eram “rifados”, sabem
como preconceito limita suas vidas, sabem o que é ser chamado de “negro
cachaceiro do Espinho”, mas não aceita tais posições. Ou seja, recontam
sua própria história distante da historiografia oficial. Restauram seu
passado para o futuro, ou seja, para o momento atual e para o que há de
vir. O “pulo do gato” para entender o povo de espinho é dissociar a
negritude de escravidão. Negro não é escravo, não se pode cristalizar a
identidade negra no passado escravo. Claro está que não se pode dizer
que não houve um violento e ultrajante processo de escravidão e
subalternização das pessoas negras neste país, mas a postura que Espinho
aponta é que o negro não pode ser reduzido a este passado. Há que se
pensar então o quilombo como um modelo de movimento social voltado para
o presente e para o futuro.
Reitero mais uma vez que neste caso específico negar
relações com a sociedade escravista não significa que estivessem 100%
isolados, a proximidade geográfica com fazendas e com o centro urbano de
Gouveia é muito evidente para isto. O povo de Espinho reconhece muito
bem o preconceito e em suas falas nenhuma destas dimensões é esquecida.
Só
gostaria de reforçar que o povo de espinho não nega sua condição étnica
ou racial se o preferirem, apenas deslocam o binômio negro-escravo.
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CVA - Nós vimos acontecer, entre os povos
descendentes dos nossos antigos Tupi-guarani, um primeiro momento de
negação de identidade indígena, certamente devida à discriminação que
sofriam. Atualmente, com as políticas assistencialistas, o início do
processo de demarcação das terras e outros direitos conquistados pelos
povos indígenas, verificamos um movimento no sentido contrário: o
resgate daquela identidade por seus descendentes. Você acha que o mesmo
pode estar acontecendo em Espinho? Quer dizer, a comunidade rejeita as
suas origens porque estão vivendo uma forte discriminação e ainda não
conquistaram ou tiveram direitos assegurados?
Míriam - Acho que a questão acima pode ser
evocada para responder a primeira parte desta. Mas preciso reforçar que
Espinho sempre manteve uma “identidade negra”. Uso uma essencialização
para tentar ser mais clara. A negação não se refere a uma condição
étnica, racial ou o que seja e sim do reconhecimento que para ser
quilombola, por exemplo, estava implícito o relacionamento com o mundo
escravocrata. Negando isto se afirma o usufruto livre da terra dentre
outras coisas. Além disto, a comunidade está cada vez mais se afirmando
não como “negra” no sentido comum, mas como portadora de direitos
cidadãos. Eu acho que eles são muito reflexivos, “antenados” porque
dessencializam a categoria identidade, tal como vem ocorrendo nos
discursos acadêmicos e, segundo suas falas possuem titulação legal de
suas terras.
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CVA - Como é o engajamento político deles?
Quer dizer, eles têm uma consciência política de luta por direitos de
minorias discriminadas, negras, ou coisa assim? Algum movimento de
resistência, de consciência negra, africana, defesa de saberes e cultura
ancestrais? De acordo com a leitura que fiz do teu livro, a mulher tem
um papel fundamental na comunidade, na qualidade de estruturadora da
família nuclear e guardiã da tradição...
Míriam - Lá não tem essa coisa de movimento
organizado nos moldes políticos de uma esquerda, de um movimento negro
que eu respeito muito, mas entenda a forma de politizar, reivindicar é
outra, o discurso se organiza e flui de maneira diferente. Essa é a
grandeza da etnografia, nos mostra a todo o momento que não existe uma
razão única, nem um único modelo a ser seguido. Aprendi muito com
Espinho. Sou menos afoita e mais reflexiva agora. A resistência nem
sempre se dá nos palcos, mas igualmente nos bastidores. No livro falo da
hospitalidade como uma atitude fortemente vocalizada que envolve os
visitantes e os “seduz”. Ao sermos seduzidos temos de tentar ser
imparciais porque senão caímos em seu jogo que é o de negativar toda a
informação, atitude, etc. que venha de Gouveia. Costumo dizer, falo isto
no livro inclusive que o pessoal de Espinho provoca, chamando para o
cenário do jogo o tempo todo. Isto é resistência, porém vista por outro
ângulo.
Eles verbalizam que somente desta maneira poderão
garantir que seu modo de vida se perpetue, contudo se preocupam muito
com os problemas econômicos que levam ao fenômeno das “casas fechadas”,
isto é a migração de seus homens para fora do município, para Espinho
este é o maior perigo para seu modo de vida, cultura, etc.
Quanto as
mulheres, são elas que basicamente mantém as tradições, como por
exemplo, assumindo papéis na Folia de Reis, para que esta não deixe de
acontecer pela ausência dos homens. Graças a elas muitas casas
permanecem “abertas”. E são ela s que vem mais assertivamente se colocam
na luta pelos interesses locais.
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CVA - E esta comunidade é grande?
Míriam - Não. Não tenho dados estatísticos
recentes, mas é uma comunidade pequena, são sessenta famílias, cerca de
300 pessoas, porém deste contingente a maior parte dos homens adultos e
algumas mulheres moram em centros urbanos em São Paulo, Belo Horizonte,
Curvelo.
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CVA - Li alguma coisa sobre projetos do
governo ligados a uma ação integrada de órgãos do Ministério do
Desenvolvimento Agrário, por um “etnodesenvolvimento” de populações
quilombolas. Destaca-se neste projeto a intermediação do INCRA para a
implementação e regularização fundiária das terras quilombolas. Com esta
iniciativa, eu creio que o governo está querendo evitar os problemas que
vem enfrentando com a demarcação das terras indígenas. O que você acha
disso? As populações quilombolas já vivem os problemas que vivem os
indígenas? A comunidade de Espinho tem a posse da terra?
Míriam - Sempre é bom tentar. Dentro de nossa
estrutura fundiária o Incra é o órgão que por razões óbvias lida com a
questão agrária. Vejo muita boa vontade nesta preocupação com
etnodesenvolvimento, mas também com reservas. Assim como para os
indígenas muitas vezes esta boa vontade não é suficiente percebo que o
mesmo ocorre e ocorrerá com os quilombolas. É necessário definir quais
seriam os critérios para a implementação e regulamentação fundiária das
terras quilombolas, os pregados pelos operadores do direito ou das
comunidades envolvidas? Até que ponto poderia se pensar em uma
negociação entre estes dois discursos?
A
população de Espinho possui a titulação das terras. Algumas famílias o
conseguiram na década de 50 através do extinto FUNRURAL, outras entre as
décadas de 80 e 90 (até 1996) aproximadamente através do ITER (Instituto
de Terras-MG).
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CVA - Miriam, nós já temos, à maneira de
uma antropologia indígena, uma antropologia dos quilombos?
Míriam - Sim, guardadas as proporções
já que a primeira é mais “antiga”, entretanto muitos bons trabalhos têm
sido produzidos neste campo e há também um crescente interesse pelo
mesmo.
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CVA - No seu doutoramento, você continua
trabalhando com este tema?
Míriam - Sim, este não é um tema fascinante?
Pretendo abordar entre outras coisas o quilombo como modelo de movimento
social tal como proposto pela Professora Eurípedes da Cunha Dias (DAN/UNB).
Enquanto um espaço de construção não apenas de identidades étnicos ou
raciais, mas de sociabilidades alternativas e de espaços de disputas por
reconhecimento e redimensionamento das relações de poder, enquanto um
espaço passado, contemporâneo e futuro talvez que mostra o esforço
coletivo de sujeitos diferenciados na busca por cidadania.
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CVA - Míriam, em nome da CVA, agradeço por
todos estes esclarecimentos e te desejo muito sucesso com o seu livro -
diga-se de passagem, uma leitura muito agradável sobre uma comunidade
muito simpática – e muita força e clareza na tua pesquisa de
doutoramento. Um grande abraço, Gláucia.
Míriam - Eu agradeço a oportunidade e
confirmo que a comunidade é de fato muito simpática mas sobretudo muito
lutadora e suas práticas discursivas podem ser muito proveitosas para
uma antropologia quilombola.