Divulgando seu Trabalho (Edição nº 20)

# MONOGRAFIA

>> "Resistência cultural indígena: questão de sobrevivência identitária", por Carla Aline Kryszczun   

Resumo:

Este estudo foi realizado entre os índios Guarani Ñandeva do Ocoy, do município de São Miguel do Iguaçu/Paraná. Resistência cultural indígena: questão de sobrevivência identitária, como o título sugere, trata-se de um trabalho feito apoiado na capacidade de ser o território indígena não apenas um espaço geográfico e provedor de subsistência, mas também um campo de subjetividade, onde identidades se constroem e se firmam num contexto cultural. Para apoiar e dar mais profundidade à esta análise, o pano de fundo é a religião Guarani, que tem uma intimidade muito grande com a morte e com a esperança em um "paraíso", chamado Yvy Maraney, ou Terra Sem Males. Como vivem em um território bastante estreito e difícil de se garantir sustento com a agricultura (já que estão à margem do lago da Usina de Itaipu), os Guarani precisariam de um novo espaço. Embora a Itaipu e a Funai já lhes tenham ofertado um outro território maior, os Guarani negam-se a deixar este pedaço de terra. A justificativa é religiosa e pondera-se no aspecto do território como campo da identidade e subjetividade Guarani. Ou seja, não se pode abandonar um território onde as relações se dão há centenas de anos e mais: não se pode abandonar o local onde estão os cemitérios. Para os Guarani do Ocoy, o cemitério tem uma simbologia profunda dentro da religião. É no cemitério que estão descansando os corpos daqueles cujas almas já estão em Yvy Maraney. É preciso que haja manutenção das tumbas funerárias, trocando-se o tronco que fica acima das cabeças de tempos em tempos, ou mesmo as flores e ainda garantir o silêncio e a paz do local. Isso demonstra que o Guarani cuidou de seus mortos e, portanto, quando morrer, também merecerá Yvy Maraney. A resistência para se ficar naquele território vai além do espaço geográfico, mas caminha na direção de se manter aceso o tekohá, ou o modo de ser Guarani para que se preserva a identidade, religião e costumes. 

Clique aqui para ler o arquivo na íntegra (PDF). 

Sobre a autora:

Carla Aline Kryszczun é graduada (bacharelado e licenciatura) em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE - campus Toledo) no ano de 2003. Atualmente, pós-graduanda do curso latu sensu História e Região também pela UNIOESTE (campus Marechal Cândido Rondon). Colunista de artigos sobre cultura e sociedades no jornal O Pioneiro, em Toledo.




Topo