Artigo (Edição >> jun - jul 2001)

>> Claude Lépine(*), professora de Antropologia do Depto. de Sociologia e Antropologia da Faculdade de Filosofia e Ciências, UNESP, campus de Marília, com doutoramento em Antropologia pela Universidade de São Paulo, oferece-nos um artigo inédito, "Os Nossos Antepassados Eram Deuses", apresentado anteriormente como palestra, que enfoca a questão sempre delicada da sociedade brasileira em relação ao negro:

"As comemorações dos 500 anos do Brasil deveriam dar um lugar especial ao negro, pois o desenvolvimento da colônia só foi possível graças ao braço escravo. Foi o escravo africano que, durante mais de três séculos de escravização, resistiu de todas as formas possíveis à opressão, e manteve valores e tradições que fazem definitivamente parte de nossa cultura. Mas ao mesmo tempo que se construía o Brasil, o tráfico esvaziava e destruía nações africanas".

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Claude Lépine é autora de "O Inconsciente na Antropologia de Lévi-Strauss", "Contribuição ao Estudo do Sistema de Classificação dos Tipos Psicológicos no Candomblé Kétu de Salvador" (tese de Doutoramento) e de "Os Dois Reis do Danxome: Varíola e Monarquia na África Ocidental, 1650-1800" (tese de Livre Docência), além de vários artigos, dentre os quais cabe destacar: "Análise Formal do panteão Nagó" incluído em "Bandeira de Alairá" e "As Metamorfoses de Sakpata, Deus da Varíola", incluído em "Leopardo dos Olhos de Fogo".

>> Isabel Travancas(*), jornalista, mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional e doutora em Literatura Comparada pela UERJ, atualmente é professora da Faculdade de Comunicação Estácio de Sá.

Ela tem se interessado pelo que chama de "Antropologia da Comunicação" e nos apresenta em seu artigo, "Comunicação de Massa e Diversidade Cultural", uma análise do filme "A Missão" à luz de alguns textos clássicos da antropologia de P. Clastres, C. Lévi-Strauss e P. Bourdieu. O texto afirma que a Indústria Cultural possui uma vocação etnocidária na sociedade contemporânea.

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(*) Isabel Travancas é jornalista, formada pela PUC-RJ, tendo trabalhado vários anos como jornalista e assessora de imprensa. É mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional-UFRJ. Sua dissertação “O Mundo dos Jornalistas”, um estudo sobre identidade e carreira em camadas médias foi publicada pela Summus Editorial, São Paulo em 1993. Doutorou-se em Literatura Comparada pela UERJ, ocasião em que defendeu a tese: “O livro no jornal”, um estudo sobre os suplementos literários dos jornais franceses e brasileiros nos anos 90 (ele está no prelo – Ateliê Editorial , SP – e deverá ser publicado este ano). Lecionou nos cursos de Comunicação da PUC-RJ e UERJ. Atualmente é professora da Faculdade de Comunicação da Estácio de Sá.


>> Leila Marrach Basto de Albuquerque(*), mestre em Sociologia da Religião (1979) e doutora em Sociologia da Ciência (1991), na PUC de São Paulo, em "Novos Paradigmas, Antigos Saberes", mostra que "rios de tinta foram gastos para se mostrar a necessidade do ocidente desenvolver mentalidade racional", sempre com a justificativa da "busca da verdade e do bem estar da humanidade". No entanto, hoje, segundo a autora, "o nosso modelo de explicação da realidade, vem sofrendo críticas que têm provocado abalos nos seus fundamentos e na sua estrutura conceitual, bem como têm fragilizado o seu sistema de legitimações. Isto é, parte da comunidade científica compartilha uma insatisfação para com o paradigma vigente".

Em meio a este dilema contemporâneo, Leila situa seu artigo, que é  uma versão do paper "O contexto social dos novos paradigmas", apresentado no VII Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia, realizado na PUCSP em 1999. 

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(*) Leila Marrach Basto de Albuquerque licenciada em Ciências Sociais pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (atual UNESP- Câmpus de Rio Claro). Cursou o mestrado em Sociologia da Religião (1979) e o doutorado em Sociologia da Ciência (1991), ambos na PUC de São Paulo. Desde 1992 é professora na UNESP, Câmpus de Rio Claro, onde também realiza pesquisa sobre a temática geral "A contramodernidade no século XX: a contracultura e a cultura alternativa". Faz parte do projeto "Memória da universidade" (CEDEM - UNESP) voltado para a recuperação da memória dos Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo e da UNESP, através da história oral e de documentos escritos. Publicou pela Annablume/ Fapesp, em 1999, o livro "Seicho no ie do Brasil: agradecimento, obediência e salvação". Tem também artigos publicados em periódicos nacionais e estrangeiros. 


>> João Azevedo Fernandes(*), apresenta em "Uma Abordagem Interétnica do Casamento e da Poliginia no Brasil Colonial" reflexões sobre as influências indígenas nos regimes matrimoniais do Brasil colonial. O texto é parte de sua dissertação de mestrado em antropologia, "De Cunhã a Mameluca: Em Busca da Mulher Tupinambá" [1997]. Ele busca, por um lado, reafirmar o caráter etnográfico dos relatos coloniais contra certas tendências contemporâneas da historiografia e, por outro, criticar as análises clássicas a respeito dos Tupinambá, análises que não levaram em consideração o importantíssimo papel das mulheres naquela sociedade.

O texto está publicado na Revista Anthropológicas, ano III, vol. 7 (Anais do V Encontro de Antropólogos do Norte-Nordeste), pp. 656-668, com o título "A Mulher Tupinambá e o Contato Interétnico no Brasil Colonial".

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(*) João Azevedo Fernandes é professor universitário e doutorando em História na UFF, onde  pesquisa o papel das bebidas alcoólicas nas sociedades indígenas brasileiras e o impacto causado nas práticas etílicas daquelas sociedades pela invasão européia.

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