Artigo (Edição nº 10)

>> "De como a cultura se faz política e vice-versa: Sobre religiões, festas, negritudes e indianidades no Nordeste contemporâneo", por José Maurício Arruti

Resumo:

Neste texto apresentamos uma visão panorâmica do fenômeno de etnização da política, como ele se apresenta no Nordeste brasileiro, em especial na segunda metade do século XX. Para isso, iniciamos com a recuperação dos papéis historicamente atribuídos à região no contexto nacional, para passarmos a uma descrição, em largos traços, da subversão desses papéis operada pelas comunidades que têm recusado os rótulos de "trabalhadores rurais" e de "caboclos" para se identificarem, desde meados dos anos 70, como "remanescentes indígenas" e, desde o início dos anos 90, como "remanescentes de quilombos". Tal descrição nos servirá para recolocar o problema da relação ou dos mecanismos de correspondência entre cultura e política, de forma a fazer convergir debates aparentemente tão divergentes quanto os conflitos no campo e o multiculturalismo. Nesse ponto destacaremos como peça fundamental dessa relação a atuação das pastorais católicas sertanejas e sua metodologia, baseada na revalorização da "cultura do povo".

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Sobre o autor:

José Maurício P. A. Arruti é mestre (1992-1996) e doutor (1996-2002) em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional - UFRJ.



 

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